quarta-feira, 20 de julho de 2011

...


Estou cansada do comodismo da modernidade...
Todos seguem os princípios
do senso comum:
Não há mais vida
nas ruas da cidade.

A estética prevalece sobre a ética.
Não há limites para
o desprovimento humano de inteligência:
Há rastros de sangue na rua
e todos param para assistir o último suspiro da inocência...

Nossas vidas foram vendidas
e nossas crianças violadas por alguns trocados.
E já não há mais muitas saídas...
A ignorância traz felicidade:
a maioria assiste a tudo com os olhos vendados...

Ninguém mais está disposto a lutar:
É bem melhor tomar um porre,
ligar a tevê e sonhar...
Para quem assiste ao Noticiário Nacional fica tudo mais fácil,
Não precisa pensar:é só fazer cara de conteúdo e imitar!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poeminha sem título...




Faço parte do elenco
do Espetáculo do Mundo.
Dias longos, noites breves
E música para compensar
os sonhos não sonhados...

O dia mal se desenha
e meu despertar é mais uma vitória
O amor que sinto por mim
É o motivo do meu abrir de olhos ao amanhecer...
Agradeço ao universo por essa felicidade
que toma conta dos meus dias...

Sou filha de Narciso...
Homens passaram, homens passarão:
Todos objetos da minha vaidade
e vítimas do meu prazer.
Não me orgulho disso,
Tão pouco me arrependo...

Não tenho mais medo de ser quem sou....
Amo minha vida.
E amo tudo o que se reflete em mim...
E se acaso sou motivo de ódio alheio,
isso não me decepciona,
Tão pouco me interessa....


(ALICE SANTANA)

Nostalgias...

Meu sorriso bobo sem  rumo
Minha  garganta engasta com a indignação:
A injustiça não se resolve...
Aquele brilho agora se resume em mais uma estatística:
É  apenas um  negro pobre (entre tantos) morto no chão!

Quem poderia entender...?
Quem saberia explicar...?
O vazio permanece...
Nada mais está no lugar...

E nas ruas, tudo se resume
Em mais uma nota na página policial...
Pessoas se divertem, os curiosos comentam...
A prática da ignorância já é um ato normal!

Uma vida inteira e só restam lembranças...
A esquina está vazia,
tal ausência é um punhal...
Nada mais está no lugar,
nada poderá ser igual...

Tudo que éramos se resume em nada,
Pois o que se tem é mera melancolia...
Sorrisos atuais, brotam da velha lembrança,
Ah... Saudades daquela velha alegria...